Aborto não se discute?

Quando o STF aprovou a legalização do aborto em casos de anencefalia, eu escrevi essa matéria. Achei uma grande vitória para o movimento feminista e para o movimento de legalização do aborto em geral.

Fiz duas versões pra essa matéria, uma saiu na edição de junho de 2012 do Contraponto e a outra foi publicada na Agência Online Maurício Tragtemberg (Agemt.org). Reproduzo aqui a versão online da matéria. Foi a primeira que fiz completamente sozinha, por isso tenho carinho pela pauta. Como feminista, o assunto muito me interessa, então foi uma matéria também feita com prazer.

Aborto não se discute?

Foi aprovada a descriminalização do aborto em casos de fetos anencéfalos pelo
Supremo Tribunal Federal, que intensificou o debate sobre o direito da mulher sobre o
seu próprio corpo

Por Letícia Naísa

A pauta do aborto nunca sai do status de polêmica e sempre gera duas reações: o mais puro silêncio ou a mais agitada discussão. O movimento “pró-vida” é defensor da dignidade e da vida humana, acredita que a vida começa a partir da fecundação e, portanto, condena o aborto. Já os chamados “pró-escolha” defendem que a decisão de seguir uma gravidez e trazer uma criança ao mundo cabe somente à mulher que o carrega. A grande batalha entre esses dois setores vira guerra quando o feto em questão não tem grandes chances de sobreviver, como nos casos de anencefalia, que, de acordo com a explicação do Dr. Wladimir Taborda, médico consultor da Secretaria da Saúde, “é uma anomalia caracterizada pela ausência de hemisférios cerebrais e da parte superior do crânio. É um defeito resultante da falha no fechamento do tubo neural do embrião”.

O Supremo Tribunal Federal decidiu pela descriminalização do aborto nesses casos de incompatibilidade. A questão foi colocada em pauta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) e debatida em duas sessões do Supremo até a aprovação final. Participaram das sessões Continuar lendo