Descoberta

Sentada sobre uma longa saia rodada observo bem a moça à minha frente. Cabelos longos docemente trançados enfeitados com flores e pequenos brilhos. A franja loira ondulada caída moldando um rosto fino e branco, que exala uma vida inteira pela frente. Meus olhos correm de cima a baixo por aquele corpo. Levanto-me e me aproximo. A luz vinda da janela ainda está fraca, não consigo mais enxergar tantos detalhes. Mas a silhueta que vejo é bem definida por aquele corpete que tanto custou a conseguir entrar e por aquela saia enorme que cobre as pernas. Como será que é o reflexo das pernas?

Corro meus olhos dos pés descalços que tocam o chão frio de madeira até os olhos parados à minha frente. Olhos cor de mel, pupilas estupidamente dilatadas, cílios longos e curvos no mesmo tom claro do cabelo. Os olhos fitam todo o rosto nu. Pequenas sardas brotam nas bochechas e os olhos arregalam-se ao perceberem tal defeito. A mão sobe automaticamente à boca. Peça macia, úmida e maleável. Abro e fecho a boca com os dedos simplesmente para sentir o controle que as mãos têm sobre o resto do corpo desconhecido. Continuar lendo