Dor de amor

amor

A menina, coitadinha, chorava e soluçava num cantinho do metrô. O amigo ao seu lado tentava dizer mil palavras de consolo, mas nada que acalmasse aquele coração despedaçado. A moça que observava de longe ficou quietinha, vendo aquele chororô e lembrando-se dos últimos anos da sua vida. Vai e volta, bate-boca, sexo de reconciliação, lua-de-mel, frustrações, choros histéricos em lugares públicos, noites e noites em claro em companhia das lembranças e lágrimas infinitas.

Ah, menina levante tua cabeça, não chore assim, vá. Uma mocinha tão bonita derramando lágrimas por um moço tão babaca. Não pode não. Ele traiu, você chorou, mas já passou. Vamos lá, lave o rosto, veste uma saia Continuar lendo

“Próxima estação, Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Crônica originalmente publicada no blog 9 Focos e na edição 74 do Jornal Contraponto.

por Letícia Naísa

As pessoas se agitam e quando as portas abrem, se empurram, correm e gritam umas com as outras. Eu fico ali, de lado, espiando. Um banco velho, do metrô antigo, um banco daqueles marronzinhos, sabe, localizado estrategicamente ao lado da porta esquerda do trem.  Vejo muito, não falo nada, afinal, sou um banco. Um banco muito disputado, modéstia à parte, já que fico ao lado da porta. A única e melhor coisa que faço é observar as pessoas e suas atitudes no metrô. Pessoas são extremamente intrigantes.

Os banquinhos marronzinhos que se divertem no metrô caótico de SP (foto: reprodução)

Eu sempre me pergunto como serão as pessoas em casa, no trabalho, com os outros. De manhã, quando saio da primeira estação da linha, o metrô é silencioso, as pessoas mal se olham, as que vão sentadas, dormem. Já às 18h da tarde, é diferente, o vagão lota de gente cansada, porém falante. Comentam o dia, reclamam dos chefes, do metrô cheio, do salário ruim, das tarefas de casa, da mulher, do marido, dos filhos… A cada estação nova, conversas surgem, algumas animadas, outras entediantes.

Diferentes tipos, cores e tamanhos, assim, cada uma é uma. Gosto especialmente dos idosos, esses são bonzinhos, não costumam fazer muito barulho, mas gostam de dar olhares feios a casais ou grupos de amigos barulhentos. Quanto aos casais, Continuar lendo