Em Marcha

Essa matéria foi escrita para a edição de agosto de 2011 do Jornal Contraponto em conjunto com Beatriz Macruz.

Particularmente, foi uma das matérias que eu mais gostei de escrever, porque acho o assunto incrível. 2011 foi um ano em que minha vida pessoal mudou radicalmente, assim como a forma de se protestar no mundo. Acho que essa matéria refletiu muito da esperança que eu carrego com relação às mudanças que podem acontecer no mundo.

Viva la Revolución!

(E peço desculpas pela falta de fotos)

Em Marcha

Em 15 de maio, milhares de jovens espanhóis acamparam na Plaza del Sol com uma única reivindicação: democracia real já!

Por Beatriz Macruz* e Letícia Naísa

Na Tunísia e no Egito as pessoas saíram às ruas pelo fim de regimes ditatoriais; no Brasil, ao longo do primeiro semestre, as pessoas parecem ter redescoberto a vontade e a necessidade de se manifestarem, pelos mais variados motivos, desde a insatisfação com o transporte público, até o fechamento de um cinema tradicional, passando pelo direto à liberdade expressão. Na Grécia, foram os famigerados pacotes econômicos de iniciativas contra a crise financeira que levaram à ocupação do espaço urbano pela população, e até mesmo à greve geral. E como que de repente, em 15 de maio de 2011, milhares de autodenominados indignados ocuparam ruas e praças de toda a Espanha.

Este parece ser mesmo o ano das sublevações e indignações, mas talvez os indignados espanhóis, justamente por se reconhecerem como tais, sejam o exemplo mais emblemático do atual contexto político mundial. O surgimento aparentemente repentino das manifestações espanholas em 15 de maio deste ano – data que acabou por batizar as manifestações de “movimento 15M” – encantou variados setores da esquerda, mundo afora, e comoveu diversos países vizinhos, que saíram às ruas em solidariedade.

As palavras de ordem democracia real já! prenunciam o esgotamento de uma democracia neoliberal, entoam o divórcio do M15 com o partido socialista espanhol e ainda dialogam de atravessado com as revoltas no Oriente Médio, cuja maior reivindicação é um modelo de democracia semelhante ao que temos no ocidente. Outro ponto de contato entre os protestos espanhóis e árabes, entre outros, é o uso da internet e das redes sociais.

Segundo o sociólogo e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Emir Sader, “no caso da Espanha, de Portugal, da Grécia, são os próprios Continuar lendo

Sobre gatos, ratos, palhaços e atores.

Matéria originalmente escrita para a aula de Jornalismo Online, em 2011.

“O gato bebe leite

O rato come queijo

E eu sou palhaço!”

O personagem Benjamin é um palhaço. Já Selton Mello, que interpreta Benjamin e dirige o filme, já sabia ser ator desde 8 anos de idade. Selton nasceu em 1972 em uma cidadezinha de Minas Gerais chamada Passos, mas foi para São Paulo ainda criança. Começou atuando na TV, depois foi dublador durante a adolescência e, mais tarde, ator de cinema, produtor e diretor.

Durante a 35° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Selton Mello participou do ciclo de encontros “Os Filmes da minha vida”, no Cine Livraria Cultura 2. Foi a sua primeira vez: “eu nunca vim aqui nessa história dos “filmes da minha vida”, então eu não sei como é que funciona… eu saio falando, é?”, brincou. Ele começou a contar dos filmes que lembrava ter visto durante a sua infância, “porque na verdade está tudo na infância, todos os segredos estão na infância”, o primeiro que citou foi Herbie.

Foto: Renata Assumpção

Mas os filmes que mais marcaram foram os filmes dos Trapalhões. Ele lembra que eram sempre dois filmes por ano: um das férias de julho e um das de dezembro. Eram filmes bem dirigidos, em sua opinião, e que ele adorava. “Outra coisa que eu estou me lembrando daquela época é que era um período em que você podia entrar no cinema e ficar em mais sessões, acho que
hoje não pode, eu não sei se a gente era arruaceiro e fazia isso ilegalmente ou se na época era uma prática comum”, ele chegava a ver três vezes o mesmo filme dos Trapalhões quando menino e saía com as falas decoradas.

Um outro hobbie da sua infância eram os álbuns de figurinhas, “mas aqui não é ‘os álbuns da minha vida’… que mais?”, Selton divertiu a sala lotada com comentários assim, leves. “Superman” sussurrou um simpático senhor na primeira fila, “Superman, é verdade… nada como vir com o pai nos filmes da minha vida!” riu.

Em 1984, Selton Mello mudou-se para o Rio e começou um período curioso, porque dos 12 aos 20 anos ele foi dublador na Cidade Maravilhosa. Por isso, os filmes Continuar lendo

“Próxima estação, Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Crônica originalmente publicada no blog 9 Focos e na edição 74 do Jornal Contraponto.

por Letícia Naísa

As pessoas se agitam e quando as portas abrem, se empurram, correm e gritam umas com as outras. Eu fico ali, de lado, espiando. Um banco velho, do metrô antigo, um banco daqueles marronzinhos, sabe, localizado estrategicamente ao lado da porta esquerda do trem.  Vejo muito, não falo nada, afinal, sou um banco. Um banco muito disputado, modéstia à parte, já que fico ao lado da porta. A única e melhor coisa que faço é observar as pessoas e suas atitudes no metrô. Pessoas são extremamente intrigantes.

Os banquinhos marronzinhos que se divertem no metrô caótico de SP (foto: reprodução)

Eu sempre me pergunto como serão as pessoas em casa, no trabalho, com os outros. De manhã, quando saio da primeira estação da linha, o metrô é silencioso, as pessoas mal se olham, as que vão sentadas, dormem. Já às 18h da tarde, é diferente, o vagão lota de gente cansada, porém falante. Comentam o dia, reclamam dos chefes, do metrô cheio, do salário ruim, das tarefas de casa, da mulher, do marido, dos filhos… A cada estação nova, conversas surgem, algumas animadas, outras entediantes.

Diferentes tipos, cores e tamanhos, assim, cada uma é uma. Gosto especialmente dos idosos, esses são bonzinhos, não costumam fazer muito barulho, mas gostam de dar olhares feios a casais ou grupos de amigos barulhentos. Quanto aos casais, Continuar lendo

Desafio

Apesar de eu ser um projeto de jornalista e ser apaixonada pela profissão, eu tenho um seríssimo problema ao tentar manter um blog.

Mas minha meta deste ano é no mínimo arquivar as matérias que já escrevi ou publiquei em algum lugar neste espaço.

Além das matérias, alguns devaneios pessoais e achismos podem aparecer. Nunca prometo periodicidade nas postagens, porque nunca a cumpro, tenho problemas com pontualidade, na verdade.

De todo jeito, espero que consiga manter esse espaço por algum tempo e consiga conquistar um ou dois leitores assíduos hahaha.

Letícia