Sobre gatos, ratos, palhaços e atores.

Matéria originalmente escrita para a aula de Jornalismo Online, em 2011.

“O gato bebe leite

O rato come queijo

E eu sou palhaço!”

O personagem Benjamin é um palhaço. Já Selton Mello, que interpreta Benjamin e dirige o filme, já sabia ser ator desde 8 anos de idade. Selton nasceu em 1972 em uma cidadezinha de Minas Gerais chamada Passos, mas foi para São Paulo ainda criança. Começou atuando na TV, depois foi dublador durante a adolescência e, mais tarde, ator de cinema, produtor e diretor.

Durante a 35° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Selton Mello participou do ciclo de encontros “Os Filmes da minha vida”, no Cine Livraria Cultura 2. Foi a sua primeira vez: “eu nunca vim aqui nessa história dos “filmes da minha vida”, então eu não sei como é que funciona… eu saio falando, é?”, brincou. Ele começou a contar dos filmes que lembrava ter visto durante a sua infância, “porque na verdade está tudo na infância, todos os segredos estão na infância”, o primeiro que citou foi Herbie.

Foto: Renata Assumpção

Mas os filmes que mais marcaram foram os filmes dos Trapalhões. Ele lembra que eram sempre dois filmes por ano: um das férias de julho e um das de dezembro. Eram filmes bem dirigidos, em sua opinião, e que ele adorava. “Outra coisa que eu estou me lembrando daquela época é que era um período em que você podia entrar no cinema e ficar em mais sessões, acho que
hoje não pode, eu não sei se a gente era arruaceiro e fazia isso ilegalmente ou se na época era uma prática comum”, ele chegava a ver três vezes o mesmo filme dos Trapalhões quando menino e saía com as falas decoradas.

Um outro hobbie da sua infância eram os álbuns de figurinhas, “mas aqui não é ‘os álbuns da minha vida’… que mais?”, Selton divertiu a sala lotada com comentários assim, leves. “Superman” sussurrou um simpático senhor na primeira fila, “Superman, é verdade… nada como vir com o pai nos filmes da minha vida!” riu.

Em 1984, Selton Mello mudou-se para o Rio e começou um período curioso, porque dos 12 aos 20 anos ele foi dublador na Cidade Maravilhosa. Por isso, os filmes que via eram os mesmos que dublava, “era uma época de muitas imagens”. Todo mundo se impressionou com os filmes que Selton dublou: Karatê Kid (2 e 3), Indiana JonesDepois de Horas, os seriados Anjos da Lei e Três é Demais, Charlie Brown do Snoopie, entre outros. Selton Mello também citou diretores: Coppola, Woody Allen, Kubrick, Tarantino, Chaplin, Scorsese, Almodóvar, Bergman, Peter Sellers…

Muitos filmes foram citados e o monólogo foi aberto para perguntas, que o fizeram lembrar-se de desenhos, como Bernardo e Bianca da Disney, filmes nacionais, como os filmes do Roberto Carlos e O Bandido da Luz Vermelha “ele é muito engraçado, muito comovente, ele é muita coisa”, filmes de terror, “nunca gostei de filme de terror, só abro uma exceção para o Kubrick com O Iluminado, nunca gostei de tomar susto”, musicais, que odeia, “é chato, toda hora alguém começa a cantar do nada”, western, românticos, 007, cinema europeu, De Volta para o Futuro.

Além dos Trapalhões, outros filmes que influenciaram bastante seu trabalho foram Laranja MecânicaParis, Texas e O Poderoso Chefão. Quanto aos personagens que inspiraram sua atuação, Selton conta que às vezes se pega com “tiques” de alguns personagem, “por exemplo, em Meu Nome não é Johnny, eu fazia uma coisa que talvez ninguém tenha reparado, mas em uma cena em que eu tirava dinheiro do bolso de um jeito, tudo amassado, misturado dinheiro com elástico e nota fiscal, e isso era por causa de um personagem que o Sean Peann fez no início da carreira chamado Picardias Estudantis, em que ele fazia um surfista maconheiro, em que ele andava sempre chapado com dinheiro assim na mão”. Também citou a importância de Marlon Brando para o cinema, “porque tudo vem do rádio que foi para a TV e foi para o cinema, era tudo muito ‘dito’, a partir dele veio uma nova forma de interpretação, ele foi fundamental”.

Antes de ser diretor, Selton conta que sempre foi um ator curioso, “eu colava no fotógrafo e perguntava tudo, por que você escolheu essa luz? Como você montou isso? Eu gostava de saber dessas coisas todas. Isso antes de dirigir, mas agora, eu procuro ficar bem quieto quando sou só ator, eu não tenho que dar palpite”. Sobre seu último filme, O Palhaço, ele conta sobre seu personagem, Benjamin, que tem muito a ver com o personagem da obra literária O Idiota e o personagem de Petter Sellers em um de seus filmes preferidos, Muito Além do Jardim, que “é um personagem que tem uma pureza de espírito, enxerga a vida sobre outra perspectiva”.

O Palhaço estreou na última sexta-feira nos cinemas e é aquele filme blockbuster com cara de Cult, com uma leveza impressionante. Benjamim é um personagem cativante, inocente e melancólico. O longa inteiro tem esse clima de melancolia com certo humor amargo: seria engraçado se não fosse trágico. Elogios não faltam para a obra: é claro, mas sensível; cheio de cores, mas com ar cinzento. Tem uma fotografia belíssima, uma trilha sonora envolvente e uma história encantadora.

Confira o Trailer do Filme aqui:

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